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  • Writer's pictureMariana Carvalho

Como foi escrever um livro sobre mulheres em tecnologia em português

Minha experiência como co-autora de um livro sobre diversidade e inclusão



No dia das mulheres, em 8 de março de 2024, eu e a Beatriz Oliveira publicamos o nosso terceiro livro juntas, chamado Mulheres em Tecnologia — Como a diversidade e inclusão vão mudar o jogo nas empresas e na sociedade, pela Casa do Código, uma editora focada em publicar livros técnicos e nas áreas de programação e desenvolvimento profissional em tecnologia. O primeiro livro que escrevemos juntas foi o Guia de Infraestrutura de TI; e o segundo o Guia de Computação em Nuvem, ambos disponíveis gratuitamente no Internet Archive.


Escrever em português está alinhado com os nossos objetivos pessoais de democratizar o conhecimento na nossa língua e dar acesso a conteúdos técnicos para aquelas pessoas que não falam inglês.


O processo do terceiro livro demorou um pouco mais de um ano e trouxemos estatísticas importantes sobre a falta de representatividade das mulheres nas áreas de ciência e tecnologia, e também como a falta de referências e incentivos por parte dos pais e da escola influenciam na escolha das profissões, levando muitas meninas a não seguirem o campo da computação. Compartilhamos nossas jornadas em tecnologia e como ser minoria em salas de aulas e reuniões afetou o nosso progresso como profissionais de TI, mas também as lições que aprendemos ao longo do caminho.


Interseccionalidades

Reconhecemos que somos duas mulheres cis, brancas, de classe média, e entendemos nosso papel de privilégio na sociedade e, por isso, convidamos mulheres de outras interseccionalidades para dar seus depoimentos e suas visões sobre os ambientes pouco diversos e inclusivos que estão inseridas em suas empresas e também na academia.

As entrevistadas foram:


  • Camila Achutti — contando sua jornada como mãe, líder e empreendedora

  • Elizabeth Souza — contando sua participação em comunidades e como mulher maior de 50 anos

  • Giovana do Nascimento — contando sua jornada em tecnologia como mulher negra e com deficiência

  • Lorena Locks — contando sua jornada como recrutadora técnica e pertencente ao grupo LGBTQIA+

  • Renata Azevedo — contando sua experiência em uma posição altamente técnica

  • Rosaline Helenna de Souza — contando sua experiência como mulher trans

  • Silvia Bim — contando sua jornada como líder na área acadêmica e também escritora


As conversas foram riquíssimas e trouxeram o livro para um outro patamar: as entrevistadas deram conselhos concretos que podem ser tomados pelas empresas, governos, aliados e mulheres, para que juntos possamos fechar a lacuna da disparidade de gênero na área de tecnologia.


Chamada para ação

O livro é, sobretudo, um chamado para a ação. Questionamos a falta de compromisso de empresas e governo em incentivar mais meninas e mulheres a explorarem o caminho da computação, e também como times diversos são mais criativos e inovadores. Ao final, trouxemos diversas dicas para ajudarem meninas e mulheres a se sentirem menos sozinhas em suas jornadas profissionais nessa área.


Entre os conselhos, compartilho os meus favoritos:


Invista em autoconhecimento

Desde que fiz transição de carreira do Marketing para a Ciência da Computação, entendi a importância de fazer auto-reflexão e me questionar se o caminho que estava trançando estava de acordo com os meus objetivos e ajustar o percurso se necessário. Para isso, precisei investir em auto-conhecimento, olhar ao meu redor, analisar as minhas habilidades mais fortes e aquelas que precisavam de mais empenho e trabalho.

Analise suas forças, faça auto-reflexão e aprimore suas habilidades.

Busque mentoria

No mestrado, rapidamente entendi a importância de me conectar com outras pessoas e buscar apoio quando eu precisava. Eu pedia conselhos para o chair do departamento e para a minha advisor, sempre buscando formas de melhorar como estudante e também me preparar melhor para o mercado de trabalho americano, que eu já sabia que seria super competitivo. Participei de um programa de mentoria de 6 meses da Learn IT, Girl!, que foi crucial para me ajudar a construir auto-confiança e aprender Python ao lado de uma mentora (thank you, Karla!). Com o passar do tempo, ao participar de eventos e conferências como a Grace Hopper Celebration 2017, GradCohort 2017, WiCys 2017, outros do IEEE, fui me conectando com outras mulheres no mercado que se tornaram mentoras, formais e informais.


Depois de me formar (no final de 2017) e ingressar no mercado de trabalho, passei a mentorar, também. De forma voluntária/pro-bono e através dos meus serviços de mentoria. Hoje, encontro um prazer imenso em auxiliar mulheres e jovens profissionais de grupos subrrepresentados a encontrarem seus caminhos em tecnologia.


Promova seu trabalho

Seu trabalho não irá falar por si só. Para ser reconhecida é preciso que você saiba vender o seu peixe e dar voz ao que você vem conquistando. E aqui não estou falando de apenas postar no LinkedIn. Estamos falando de trazer para a visão de sua gestão e liderança as atividades que você tem feito e também se sobressaído. Por sermos minorias nesses espaços, precisamos falar ainda mais alto e não deixarmos nossas vozes serem diminuídas e apagadas. Do contrário, faremos parte da estatística.

Por sermos minorias nesses espaços, precisamos falar ainda mais alto e não deixarmos nossas vozes serem diminuídas e apagadas.

Encontre sua rede de apoio

Fazer parte de comunidades e trocar minhas experiências com outras mulheres, tanto durante o mestrado, quanto depois, foi importantíssimo pra que eu não desistisse e continuesse perseverando no aprendizado da computação. Com essa paixão, co-fundei a Brazilians in Tech e voluntario em comunidades para apoiar e fortalecer laços para que mais mulheres se sintam satisfeitas e encorajadas em seus caminhos profissionais.


Tenha um Accountability Partner, ou um Parceiro de Responsabilidade

Encontrar um Accountability Partner não é fácil. Exige que você confie nas pessoas ao seu redor, ao mesmo tempo que encontre alguém que também esteja comprometido com o desenvolvimento profissional e tenha um growth mindset. O Accountability Partner é alguém que vai te apoiar quando as coisas não estiverem fáceis ou saindo como você esperou. É alguém que vai te encorajar a continuar e também te dar feedback construtivo ou positivo sobre seus objetivos e projetos. Em contrapartida, você fará o mesmo por ele/ela. É uma troca ótima de aprendizado e crescimento em conjunto.


Para ler mais do conteúdo acima, adquira a cópia do seu livro (físico ou digital) neste link.


Lançamento presencial, autógrafos & painel

O lançamento presencial do livro será no dia 21 de maio, em São Paulo, na Microsoft Reactor. Teremos surpresas e sorteio do livro! Inscreva-se aqui. Te esperamos lá!



 

Mariana Carvalho é escritora, mentora de carreira, Latino 30 Under 30 2022 pela revista El Mundo Boston, Mentor of the Year 2023 pela WomenTech Network, com mais de 12 anos de experiência profissional, sendo os 7 últimos no mercado corporativo americano. Mentoria | Medium | LinkedIn | Instagram | Website

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